Barriga do Sequestro: Assessoria fura a imprensa e, de tabela, engravida o Google


A tal barriga no jornalismo ainda não saiu de moda. Algumas redações sempre tem o luxo de sair um passo a frente para ter que voltar dois passos atrás e refazer o que acabou de ser publicado.  Isso é ainda mais constante na internet.
Na pagina da UOL, normalmente o internauta lê a noticia com uma nota embaixo: “Erramos”.

Em evento recente que debatia a ética na web, jornalistas que trabalham no setor discutiam sobre a necessidade de furar e antecipar o fato – que, na verdade, nunca é um ponto final. Nesse evento, um jornalista chegou a afirmar que, quando ouve a informação de “acidente na estrada”, já posta na notícia online que a estrada está bloqueada. Para ele não tem cabimento um acidente sem estrada bloqueada, oras. Achismo óbvio.

Há poucas horas atrás, a assessoria do Estado de São Paulo divulgou que a moça Eloá havia morrido. Com isso, uma série de notícias foram lançadas falando da morte da moça sequestrada em Santo André, SP. No UOL e na Folha Online, “Menina mantida refém pelo ex-namorado morre após ser baleada em Santo André“, no Noblat “Morre Eloá, mantida refém pelo ex-namorado“, No orkut “uma das meninas nao resistiu e morreu… tava na pagina da uol :/” e em blogs, “Morre Eloá, 15, em operação desastrada da PM de São Paulo“. Portanto, Eloá havia morrido nos noticiários online.

Loucura é que poucos minutos depois, a UOL/Folha vem dizer que a informação era errada e que a moça ainda está viva. A culpa da barriga? Oras, da assessoria. Segue a nota (grifo meu):

“A assessoria de imprensa do governo do Estado esclarece que chegou a receber a informação, da área da Segurança Pública, sobre o falecimento da jovem Eloá. No entanto, em seguida, nova informação deu conta de que, felizmente, ela foi reanimada na sala de cirurgia e, neste momento, encontra-se em coma induzido e processo cirúrgico. Pedimos desculpas à família de Eloá e, junto a ela, oramos a Deus por sua recuperação.

Assessoria de Imprensa do Governo do Estado de São Paulo”

O incrível nesse caso é o seguinte: Uma pessoa morre e, no mesmo segundo, a segurança pública avisa a assessoria para fazer uma notícia com o caso. Um sequestro de mais de 100 horas e eles estavam pensando no release? Ainda mais incrível é que “em seguida (…) ela foi reanimada na sala de cirurgia”, dando a entender que a moça realmente morreu, eles fizeram o release, a mídia usou o material e a moça, oh, foi reanimada. Um processo desse tipo precisaria de, no minimo, uns cinco minutos. Nesse imbróglio, até José Serra foi avisado da morte.

Agora, apesar das noticias estarem sendo reformuladas e os seus títulos sofrendo as devidas alterações, a pesquisa google já está grávida de informações sobre a morte da menina Eloá, pelo menos em suas chamadas. Quem procurar se a Eloá morreu, o Google vai dizer que sim.
Será que alguém vai questionar a chamada na pesquisa?

Sabe como é, né? É Deus no Céu e Google na Terra.

Para ler sobre o sequestro, Indico a matéria do Bertolotto, no UOL, mas se você quiser mastigar o assunto, vá aqui na Folha Online.

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2 Comentários

Arquivado em Caso Eloá, Imprensa, Internet, jornalismo, Manipulações, protesto, Sequestro

2 Respostas para “Barriga do Sequestro: Assessoria fura a imprensa e, de tabela, engravida o Google

  1. Menezes

    Ok, a Assessoria de Imprensa errou. Está perdoada. Isto acontece.
    O que não pode são as “barrigas” que acontecem diariamente (em todas as mídias) e nunca são consertadas, ainda que atrasado. Este é o problema. O caso da Assessoria de Imprensa do Governo paulista, embora tenha tratado de um assunto dramático e altamente emocional, acaba tornando-se irrelevante nesta selva sem dono que é a comunicação de massa, que muitas vezes não respeita a informação e muito menos o conteúdo em si.

  2. Bozo

    Pois é. Lá estava eu, no dia do tiro mais famoso do herói atualmente famoso e eleito por muitos brasileiros – cultíssimos!! – comendo na lanchonete da UEL. Deu a chamada do plantão da Glob… digo, do réquiem da Globo, e a dona moça disse que a Eloá já tinha ido a óbito. O mais interessante foi que, cinco segundos depois, ela disse: “Ainda não foi confirmado a morte pelo hospital”. Sei não… Se começar a me aparecer dois canalhas por ano jogando filha da janela e sequestrando ex namorada e lotar sites coloridos por aí, eu vou começar a desconfiar da mão…

    Mas e agora vamos pra brincadeira da torta na cara, amiguinhoos!?!

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