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Minha árvore (caída) de estimação se foi…

Sim, e em menos de 24 hrs. Contraste imenso com o tempo que levaram para retirar a árvore do Fábio Silveira (uma semana).

A árvore já faz falta dos dois modos: Em pé e deitado. Quando era viva fazia sombra e, quando estava deitada em dois terços da rua, servia de pare para os veículos em alta velocidade que passam por aqui.

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Marcelo Frazão (JL): Arrematador

Não é surpresa dizer que o Marcelo Frazão, do JL, é um cara diferente nos jornais. Tem professor acadêmico que deve odiar o estilo, mas eu gosto. Também não é surpresa algum para o Frazão ler isso aqui, ele sabe que penso isso – tanto que é um dos jornalistas que mais me ensina fora do restrito circulo acadêmico.

E ao ler a matéria “Sidney Souza Volta à Câmara” é notar que está um curso em seus parágrafos uma desconstrução, como se a matéria fosse algo a ser descascado, fatiado – servida em pedaços. Depois de lembrar e ligar vários temas que ajudaram o ex-presidente do legislativo voltar para Casa (mudança de lei enquanto era presidente que o favorece agora), a matéria ainda traz uma pequena entrevista que te coloca ainda mais dentro da situação, confira:

“Não houve cavalo de tróia”, defende ex-presidente da Casa

JL – Quanto à tramitação da emenda à Lei Orgânica, que foi feita no apagar do ano legislativo…
Sidney de Souza – (interrompe) Desculpa, mas não concordo. A Comissão de Justiça deu pela legalidade. Para mudar a lei houve 10 dias de prazo. Então, desculpa. Regimentalmente você vai ver que não há óbice em apresentar emenda à proposta. Não se fez cavalo de tróia para embutir algo estranho dentro de uma proposta. Mexendo na Lei Orgânica nada impede que se queira mexer em um artigo e alterar outro. O projeto de lei pode ser emendado.

Mas não é cavalo de tróia o que aconteceu? A emenda original era apenas sobre ajuste do número de vereadores…
Ué, claro que não. A proposta em objeto era ‘vereadores’ e mexemos quando um vereador pode atuar. Não falávamos de vereadores enquanto mexemos no Código Tributário, no Código de Posturas ou em outro assunto atípico. Como presidente da Câmara apenas votei na proposta.

No dia da alteração a imprensa saiu do plenário e só então a emenda foi colocada em votação…
Não fazemos as coisas em relação à imprensa. A entrevista está encerrada, desculpe. Não vou ficar respondendo a isso.

Mas vereador, houve clareza para a população na mudança da lei?
A Câmara está aberta, temos internet e Diário Oficial e quem publiciza é a imprensa. Se alguém deixou de dar publicidade, foi a imprensa.

Na época a manobra saiu na capa do JL…
Pois então, se saiu em 30 mil exemplares, chegando a 120 mil leitores, de graça e na capa do jornal. Quer publicidade melhor do que essa?

Certa vez, em uma matéria do ano passado, os vendedores ambulantes, ao serem “incomodados” pela reportargem do JL, faziam ataques diretos: “Fazer jornalismo de picaretagem também não pode. Tem tanto jornalista picareta por aí. Sei onde você quer chegar…” ou  ainda “Aqui não vem fiscal da Prefeitura não. Vem só repórter sem-vergonha com papelzinho na mão dar uma de bonzão. Tem gente que vem queimar nós aqui. Não adianta chegar com esse converseiro. Se não pode e vai tirar, tira logo. Manda ‘os homi’ vir aqui tirar”. Quem escreveu e não omitiu a raiva dos vendedores com a profissão foi Marcelo Frazão (clique e leia aqui).

Só me resta desejar parabéns ao jornalista e recomendar que passem no site do JL para ler a matéria sobre o Sidney.

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Entrevista com Fábio Silveira – parte III

Aviso: Antes de ler a última parte, leia antes a PRIMEIRA parte (clique aqui) e em seguida a SEGUNDA parte (aqui). Agradeço ao Fábio a disponibilidade e a força.
Espero postar ainda mais entrevistas que o pessoal da turma fez. Para a próxima, espero o Frazão.


– Na parte acadêmica, como fica a questão do estudante no jornalismo investigativo? Porque muitas vezes ele não tem espaço mas tem tempo. Você, quando o pauta o ministério público, fez sua parte como jornalista e cidadão. Um acadêmico, por achar que não vai ter espaço, ele deve ir denunciar a situação?

Eu acho que se o cara é jornalista ele tem que ir pelo caminho do jornalismo. Não tem essa de ser foca e ninguem vai aceitar. Eu, por exemplo, quando era foca levava umas matérias pra redação que viravam. Lembro de uma das melhores matérias que fiz até hoje: Passei um semana frequentando a universal – tava aquela polêmica em 95 do Chute na Santa. Eu era foca e emplaquei essa matéria. Então, com 3 meses de jornal.
Quando tu tem uma boa matéria na mão (com provas), mesmo sendo foca, vai emplacar a matéria.

– Mas e o acadêmico?

Eu que edito jornal laboratório, para o estudante, se ele tiver uma materia bem fechada, ele tem que publicar. Hoje a gente tem uma democratização na informação, não é? Tem Blog, internet, jornal laboratório. A gente teve uma boa matéria de uma aluna, que foi há uns 2 anos atrás. Ela fez sobre os neonazistas. Conversou, apurou, fotografou e a matéria foi espelho no jornal laboratório.
Meses depois a Folha fez uma matéria sobre esse assunto e citou a matéria da menina.
Então existem canais.

– E a questão da acadêmia abordando o assunto? Você que é professor. A faculdade ensina, cita casos (tipo Tim Lopes), mas dá força para o aluno praticar?

O jornalismo investigativo tem que ser visto além da grife. Tim Lopes é grife. Tu pode fazer jornalismo investigativo sem colocar sua vida em risco.
Eu acho que as pessoas tem uma visão meio equivocada do jornalismo investigativo, que é o cara ir lá na favela com câmara escondida e omissão de indentidade. Isso tem que se discutir. Porque o jornalista, via de regra, ele tem que se apresentar como jornalista. Omissão e câmera, só é admissivel se não existe outro meio de se adquirir um informação, nenhum outro canal.
O jornalismo investigativo é um dos poucos momentos em que o jornalismo é um contrapoder. O que acontece? você deixa nu o discurso oficial. Não é risco de vida.


– Você já foi ameaçado na profissão?

Não seriamente. Aconteceu uma situação engraçada, engraçada mesmo que não dá pra levar nem a sério.
Uma vez o Flávio Vedoato pediu pra ir embora da sessão porque tinha um compromisso. Até ai tudo bem, mas ele foi pra um buteco beber, ali na Borba Gato.
Por azar, não conseguimos fotografar, mas o cara se borrou – eu montei campana na frente do buteco.
Veja bem, se o cara vai beber às 5 da manhã, 8 da manhã, não tenho nada com isso, é problema dele. Mas se ele sai da sessão em compromisso oficial e vai pra um buteco?
Eu liguei para a pessoa do suposto compromisso, o cara não tinha nada marcado. Depois a pessoa me liga de volta por pura solidariedade butequeira, “Olha, na verdade a gente tinha uma reunião e tals, acabamos desmarcando” (risos). Nisso veio a turma do “deixa disso”.
Eu não publiquei porque não fotografei – só publiquei cifrado. No outro dia me liga alguém dizendo, “para de mexer com o cara. Oh, hein” (risos).

Ah, é uma piada… O Flávio Vedoato é uma piada.

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Entrevista com Fábio Silveira – parte II

Essa entrevista tem três partes, para ler a primeira parte clique aqui


(continuação)

– Tem que ter o que você chama de “isenção de ânimo”?

É, isso. Isenção de ânimo.

Quando eu trabalhei na Folha de São Paulo, tinha esse lance de que a tese deveria ser confirmada. Uma vez fui fazer uma matéria, dezembro de 97, era algo que o estado todo tava fazendo: Eles queriam provar que o dinheiro de renda mínima de São Paulo era usado pelas famílias para comprar eletrodomésticos e ceia de natal. Eu passei três dias, inclusive véspera de natal, andando por São José dos Campos, em favelas barras pesadas e não vi nada disso. No primeiro dia, escrevia o que tinha e não batia com o dos caras, ia no segundo e não batia, no terceiro fui até com outro repórter e a gente não achou nada disso.

O que eu achei: Uma mulher que comprou o ferro de passar roupa, mas só que ela passava roupa pra fora, aquilo era instrumento de trabalho da mulher. Uma outra comprou um frango. Isso é uma ceia de natal?
Enfim, o cara me liga de São Paulo dizendo “Olha, todas as outras cidades acharam”, disse “Oh, eu só posso escrever o que eu vi e o que eu vi está escrito aí”, daí o cara: “Mas nós vamos botar aqui”, Respondi, “Oh, pode botar o que tu quiser, desde que não use o meu nome”.
Então tem essas coisas em matérias investigativas, que a gente não sabe se os reporteres constataram apenas para agradar o editor.

Olha, isso só vi em matéria lá em São Paulo. Aqui no JL a gente faz de vez em quando matéria tabelada com a Gazeta do Povo, de Curitiba, que tem fama de ser mais conservadora e nunca aconteceu isso. Mas na Folha de São Paulo aconteceu, que é uma grande grife do jornalismo. No estado de São Paulo, quando tu diz que trabalha na Folha de São Paulo, as portas se abrem e desce uma luz branca do céu “Ohhh, pode entrar”.

– Como é o trabalho aqui? Por ser uma cidade de interior – “caipiras” – nosso jornalismo investigativo é com matinho no canto da boca?

Aqui no Paraná é engraçado. Londrina sempre teve uma imprensa mais independente, questionadora. Já em Curitiba era aquela coisa chapa branca, oficialzona. Mas de 3 anos pra cá, as coisas estão invertendo.

Em Curitiba, que os caras já tem dinheiro, resolveram bater na máfia dos ganhafotos, no nepotismo. Então, ela ta fazendo jornalismo que nunca se fez em Curitiba… e aqui em Londrina, a gente ta perdendo espaço; Porque Londrina sempre foi uma grande escola de jornalismo.

Mas olha: fazer jornalismo investigativo num jornal pequeno, como o JL, não é fácil. Porque se tirar um cara para investigar uma coisa durante 3 dias para virar ou não matéria, complica. A gente não tem pessoal para deixar o cara de fora e ficar cobrindo.

Mas é aquela coisa: O que me move? O que me move é fazer jornalismo até as ultimas consequências. Gosto do que faço.

Por exemplo, nessa crise na câmara, que eu fiz muitas matérias que podem ser consideradas investigativas, porque antecipava e ia além do ministério publico – muitas vezes até pautava o ministério público – nessa crise eu fazia o editorial de manhã na minha casa, para poder me decicar a tarde na reportagem e na coluna.

Quando vai lá pro lado do Centro Cívico (Ministério Público, Câmara, Prefeitura) normalmente se fica uma hora e vai embora. Eu ia lá e ficava três ou quatro horas, o maior tempo possivel. Mas esse tempo a mais que eu estava fora eu ficava fuçando em alguma coisa. O pessoal da redação não sabia e eu só contava para a pauteira, a Rosane – eu sou do serviço reservado, da P2 (risos) -, porque se eu solto na reunião dos editores que eu to investigando uma situação, eles ficam loucos, eles já querem a matéria para o proximo final de semana. Às vezes uma matéria precisa de duas, três ou quatro semanas para amadurecer.

Na matéria da lista do Caldarelli, foi uma situação que cheguei até a pautar o ministério publico, isso que foi legal.

Era a historia de um processo de execução de uma dívida do Célio Guergoleto da qual Renato Araujo e Bergamin eram avalistas. Daí o ministério público encontrou o nexo entre essa dívida que foi pago pelo Renato Araujo com a doação do terreno pro Caldarelli. Porque os cheques que pagavam as dívidas era de um ex-namorada do Caldarelli.

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Entrevista com Fábio Silveira – parte I

Olás, vou dividir essa entrevista em 3 partes com os leitores e com os blogs locais. Acredito que o Fábio nem sabe que tô postando – ele vai descobrir.
O foco era Jornalismo Investigativo e a entrevista foi feita em setembro para a disciplina da Karén Debértolis. A foto eu peguei do orkut dele e quem a fez foi o Gilberto Abelha (achismo).
A próxima série (espero eu) será com o jornalista Marcelo Frazão (que posta no blog da Ong MAE, também do JL), que o Ítalo entrevistou.
Segue a entrevista (próxima dia 25 e a última dia 27):


fabiosilveiraO gaúcho Fábio Silveira é aquele jornalista que qualquer acadêmico gosta de entrevistar: Acessível, simpático e com conhecimento para dar e vender. Formado pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), com especialização em Sociologia e mestrado em Ciências Sociais, trabalhou em rádios e impressos, como a Folha de S. Paulo em São José dos Campos, por exemplo. O Jornal de Londrina, onde escreve há mais de dez anos, foi o local de nosso bate-papo. Fábio se disponibilizou a aparecer na redação 30 minutos antes de iniciar seu plantão em pleno domingo de Stock Car.
Outros motivos para Fábio Silveira ser visado no meio acadêmico: Dá aulas na Faculdade Pitágoras e é autor do livro “Imprensa e política – o Caso Belinati”, que é sua dissertação de mestrado e xerox de cabeceira de varios alunos dos cursos de Comunicação Social da cidade.
Participa também de comunidades de relacionamento na internet. Lá indentifico que Fábio não esconde duas coisas: Odiar neoliberais e amar o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. Por fim, se rendeu de vez aos encantos da internet e criou seu blog, o Baixo-Clero, uma dose diária de bom colunismo político de nossa cidade.

– Vamos começar falando sobre o que chamamos de “jornalismo investigativo”.
A rotinização do trabalho nas redações te empurra cada vez para as fontes oficiais. O que acontece: Temos cinco horas para fazer uma matéria e fechar uma edição. Então a necessidade de informação vai ser melhor atendida aonde? Na fonte oficial. Por exemplo, fiz uma matéria sobre as “promessas das escolas de período integral”. Quem tem o dado mais concreto? É a secretária de educação. Então, o curto tempo que a gente tem para fechar uma edição ela nos empurra sempre para a fonte oficial.

Daí existe uma contradição, porque se o jornalismo ele é visto como “quarto poder”, ouvindo apenas as fontes oficiais ele nem sempre faz um contrapoder, um fiscalizador ou, como dizem os americanos, um cão de guarda que defende o cidadão e seus direitos contra o despotismo do Estado.

Eu vejo que o jornalismo investigativo não é a grife de câmeras escondidas. Coisas de jornalismo gonzo que falam “Oh, vou ficar 6 meses no meio dos hippies e vou contar uma história”. Pra mim o jornalismo investigativo é sempre quando você tem uma oportunidade de sair e ir além das fontes oficiais.

E para mim, que comecei cobrindo polícia, tinha uma repórter muito legal, a Nicéia Lopes. Ela tinha tempo pra ir lá no bairro, no vizinho, toda a vez que tinha um assassinato. Ela fazia um trabalho que as vezes nem a polícia fazia – enquanto a maioria dos repórteres ia na polícia, no delegado e não sei o quê mais.
Normalmente a minha prática é fechar o cerco, para depois chegar na fonte oficial.

– E você se recorda quando leu a sua primeira matéria investigativa?

Não, isso não lembro, mas desde a época da faculdade assino a Folha de São Paulo. No Brasil, apesar de todos os problemas, ela consegue ser um tanto independente, ou “menos ruim” comparado com a maioria dos jornais do país, além das matérias investigativas que produzem.

Mas tive uma grande decepção em relação à Folha. Trabalhei no jornal desde maio de 1997 a janeiro de 1998. Foram 8 meses – o maximo que alguém aguenta lá. Eu representava a regional de São José dos Campos e o trabalho era quase escravo. Uma exploração grande de quase 10 horas diárias ou mais.
Lembro-me que na época foi publicado um matéria sobre o trabalho escravo no Brasil, e se compararmos com a rotina da redação é ironia. Ainda era virada do dia 1º de maio, minha primeira semana na Folha de São Paulo.

– No jornalismo investigativo, o jornalista pode transformar uma mentira em verdade?

Isso é um problema do jornalismo. Eu já saí da redação com a pauta que na verdade, dependendo do pauteiro – se ele é mais ou menos ideogilizado -só pra confirmar uma tese do cara. Na verdade, quando tu sai pra fora, tem que sair aberto para contradizer aquilo que você pensa. Eu já fiz várias matérias que mudou a minha forma de pensar. Por exemplo, ouvia falar de compostagem – achava “bonitinho” – mas fui fazer uma matéria sobre isso e agora eu separo tudo. Lá em casa tem duas latinhas: Lixo orgânico e lixo comum.

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